DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL E SOCIAL

A Neurobiologia do Apego

Como as primeiras interações moldam o cérebro e a saúde mental

Escrito por Dr. Hélder Ferreira, Pediatra e Diretor Clínico da Clínica Pediátrica Coronado Publicado em 28 de Janeiro de 2026 • Revisto em 28 de Janeiro de 2026

O ser humano quando nasce é totalmente dependente dos cuidadores! Daí vem a necessidade de se vincular. Este vínculo aos cuidadores primários designa-se de apego, constitui um imperativo biológico nos primeiros estágios de vida e marca a saúde mental ao longo da vida.

Nesta interação com os cuidadores, sobretudo nos primeiros 3 anos de vida, desencadeiam-se vários processos e desenvolvem-se conexões entre os sistemas neurais, hormonais e comportamentais.

🧠 Bases neurais do Apego:

  • Sistema límbico: centro das emoções, onde o hipocampo e a amígdala processam memórias emocionais e respostas ao stress relacionadas ao apego;
  • Córtex pré-frontal: responsável pela regulação emocional, atenção e concentração, memória de trabalho, flexibilidade cognitiva e tomada de decisões nos relacionamentos;
  • Circuito de recompensa: o sistema dopaminérgico cria sensações prazerosas durante interações positivas com figuras de apego, reforçando os comportamentos de busca por proximidade e cuidado.

🧠 Neurotransmissores e hormonas:

  • Ocitocina: facilita a vinculação e confiança;
  • Vasopressina: contribui para comportamentos de apego, especialmente em vínculos afetivos de longo prazo;
  • Cortisol: hormona do stress, que se eleva durante a separação das figuras de apego;
  • Endorfinas: geram a sensação de bem-estar durante o contacto com as figuras de apego.

Deste modo, a neurobiologia do apego vem confirmar a profunda relação entre as experiências de apego, o funcionamento cerebral e a saúde mental. Padrões de apego inseguros, podem ter consequências negativas na saúde mental, como perturbação de ansiedade, depressão e até dificuldades nos relacionamentos ao longo da vida, uma vez que os apegos criados posteriormente (sejam amigos ou parceiros amorosos), reutilizam o mecanismo básico estabelecido pelo vínculo inicial com os cuidadores primários durante a infância.

Autoria: Dr.ª Rute Ferreira, Psicóloga