PROBLEMAS DE SAÚDE COMUNS NA INFÂNCIA

Diarreia Aguda nas Crianças

Escrito por Dr. Hélder Ferreira, Pediatra e Diretor Clínico da Clínica Pediátrica Coronado Publicado em 2025-05-20 • Revisto em 2025-05-20

A diarreia é um problema comum na infância, caracterizada pela eliminação de fezes amolecidas ou aquosas, com maior frequência do que o habitual. Embora possa causar preocupação, na maioria dos casos é uma situação benigna e autolimitada. Neste artigo, explicamos como reconhecer a diarreia, quais as suas causas mais comuns e quando é necessário procurar ajuda médica.

O que é a diarreia?

Fala-se em diarreia quando as fezes se apresentam mais líquidas do que o normal e/ou são eliminadas com maior frequência. Pode ter múltiplas causas, desde infeções a intolerâncias alimentares ou doenças intestinais.

Diarreia aguda vs. crónica: qual a diferença?

  • Diarreia aguda: tem início súbito e duração inferior a 2 semanas. É a forma mais comum em crianças e, na maioria das vezes, tem origem vírica (ex: gastroenterite viral).
  • Diarreia crónica: dura mais de 2 semanas e pode estar associada a alergias, intolerâncias, doenças inflamatórias intestinais, entre outras. Requer avaliação médica cuidadosa.

Principais causas da diarreia aguda

As causas mais comuns são de origem infeciosa e tendem a resolver-se espontaneamente:

  • Vírus: Rotavírus, norovírus, adenovírus — os mais frequentes em idade pediátrica.
  • Bactérias: Salmonella, Shigella, Campylobacter, Escherichia coli — adquiridas geralmente por alimentos ou água contaminados. Podem causar febre alta e fezes com sangue.
  • Parasitas: Giardia, Cryptosporidium — menos comuns, mas possíveis.
  • Intoxicação alimentar: ingestão de alimentos contaminados por toxinas bacterianas.

Principais causas da diarreia crónica

Requerem investigação médica. As mais frequentes são:

  • Intolerâncias alimentares: lactose, frutose, glúten (doença celíaca).
  • Doenças inflamatórias intestinais: doença de Crohn, colite ulcerosa.
  • Síndrome do intestino irritável: pode provocar dor abdominal e alterações no padrão intestinal.
  • Infeções crónicas: parasitárias ou bacterianas persistentes.
  • Medicamentos: alguns antibióticos e laxantes.
  • Doenças endócrinas: como o hipertiroidismo.

Como gerir a diarreia aguda em casa?

A maioria dos episódios de diarreia aguda pode ser tratada em casa com medidas simples e eficazes:

  • Hidratação: prioridade absoluta! Ofereça água e soluções de reidratação oral (SRO).
  • Probióticos: podem ajudar na recuperação da flora intestinal (seguindo recomendação médica).
  • Dieta leve: alimentos fáceis de digerir como arroz, banana, maçã cozida. Evite fritos, laticínios e alimentos ricos em fibra.
  • Repouso: permita que a criança descanse.
  • Higiene rigorosa: lavagem das mãos com água e sabão após cada ida à casa de banho e antes das refeições.

Quando procurar ajuda médica?

Deve consultar o pediatra se a criança apresentar:

  • Sinais de desidratação: boca seca, olhos encovados, urina escassa, ausência de lágrimas ao chorar.
  • Febre elevada persistente, difícil de controlar.
  • Sangue nas fezes.
  • Vómitos persistentes, que impedem a hidratação.
  • Diarreia muito intensa ou prolongada.
  • Dor abdominal intensa.
  • Quadro de diarreia crónica — deve ser sempre avaliado.

Diarreia crónica: a importância da avaliação médica

Se a diarreia dura mais de duas semanas, é essencial uma investigação médica. Os exames mais comuns incluem:

  • Análises de fezes: deteção de sangue, parasitas ou bactérias.
  • Exames laboratoriais: função renal e hepática, marcadores inflamatórios, alergias alimentares, despiste de doença celíaca.
  • Endoscopias digestivas: em casos específicos, para observar diretamente o intestino e recolher amostras.

Tratamento da diarreia

O tratamento depende da causa:

  • Na diarreia aguda, o foco é a hidratação e o alívio dos sintomas.
  • Na diarreia crónica, é fundamental identificar e tratar a causa subjacente.

"Nunca administre medicamentos antidiarreicos sem orientação médica."

Nota final: Este artigo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Em caso de dúvida, o pediatra está disponível para avaliar a criança de forma personalizada.

Autoria: Dr. Hélder Ferreira, Pediatra