PROBLEMAS DE SAÚDE COMUNS NA INFÂNCIA

Febre na Infância

Quando se Preocupar e Como Ajudar o Seu Filho

Escrito por Dr. Hélder Ferreira, Pediatra e Diretor Clínico da Clínica Pediátrica Coronado Publicado em 2025-01-19 • Revisto em 2025-01-19

A febre é uma presença frequente na vida de qualquer criança — e um dos sintomas que mais preocupam os pais. Mas será sempre sinal de alarme? Ou apenas um mensageiro do corpo em ação?

Neste artigo, explicamos o essencial sobre a febre: como medi-la corretamente, o que a provoca, o que fazer em casa e quando procurar ajuda médica. Tudo com clareza e tranquilidade.

O que é, afinal, a febre?

A febre é uma elevação da temperatura corporal acima dos valores normais, geralmente como resposta a uma infeção. É um mecanismo natural de defesa do organismo — não é o inimigo, mas o sinal de que o corpo está a combater.

Pense na febre como um alarme interno: não é agradável, mas está a avisá-lo de que o sistema imunitário está a trabalhar.

Como se mede corretamente a temperatura?

Existem várias formas de medir a temperatura — algumas mais fiáveis do que outras:

  • Via retal: mais precisa em bebés, embora menos confortável.
  • Via axilar: mais comum e prática, especialmente em casa.
  • Termómetro auricular (ouvido): rápido, mas pode ser impreciso se mal posicionado.
  • Termómetro frontal (infravermelhos): cómodo, mas menos fiável.

A temperatura axilar superior a 37,5 °C ou retal superior a 38 °C é, na maioria dos casos, considerada febre.

"Cada criança tem uma temperatura basal ligeiramente diferente. Para a conhecer, pode medi-la em três dias seguidos, sempre à mesma hora e em repouso, e fazer a média dos valores."

Quais são as causas mais comuns?

Na infância, as causas mais frequentes são infeções víricas simples e autolimitadas, como constipações, gripes ou viroses gastrointestinais.

Outras causas incluem:

  • Infeções bacterianas: otites, amigdalites estreptocócicas, infeções urinárias, pneumonia, entre outras.
  • Vacinação recente: algumas vacinas podem provocar febre ligeira como efeito secundário temporário.
  • Golpes de calor ou desidratação: em situações raras, também podem elevar a temperatura corporal.

O que fazer em casa?

Quando a febre surge, o mais importante é observar o estado geral da criança, mais do que o número exato no termómetro. Se estiver ativa, bem-disposta e hidratada, não é necessário intervir de imediato.

Eis algumas medidas úteis:

  • 💧 Ofereça líquidos com frequência (água, leite materno, sumos diluídos).
  • 👕 Vista roupas leves e confortáveis, evitando agasalhos excessivos.
  • 🛌 Cubra com um lençol fino durante a subida da temperatura.
  • 🚿 Banho morno ou compressas húmidas podem ajudar a aliviar o desconforto (evitar água fria).
  • 💊 Antipiréticos (paracetamol ou ibuprofeno) devem ser usados apenas se houver mal-estar ou dor, e sempre nas doses indicadas pelo pediatra.

"❗ Não é necessário baixar a febre "a todo o custo". O mais importante é o bem-estar da criança."

Quando deve procurar ajuda médica?

Existem situações em que a febre merece avaliação imediata:

  • 👶 Bebés com menos de 3 meses com qualquer grau de febre.
  • 🌡️ Febre acima de 39 °C persistente por mais de 48 horas.
  • 🚱 Sinais de desidratação: boca seca, choro sem lágrimas, pouca urina, olhos encovados.
  • 😵 Alterações do estado geral: sonolência excessiva, irritabilidade marcada, confusão.
  • 😷 Sintomas associados preocupantes: dificuldade em respirar, manchas na pele, rigidez do pescoço, vómitos persistentes ou dor abdominal intensa.

Conclusão

A febre é um sintoma, não uma doença. Na maioria das vezes, é transitória e benigna. O importante é avaliar o comportamento geral da criança e estar atento aos sinais de alarme.

Com informação clara e atitude serena, os pais tornam-se os primeiros cuidadores eficazes — e o pediatra está cá para o resto. 👨‍⚕️

ℹ️ Nota final: Este artigo tem carácter informativo e não substitui a avaliação médica presencial.

Autoria: Dr. Hélder Ferreira, Pediatra